Azeite vai ficar mais barato com imposto zerado? Especialistas avaliam

Governo decidiu tirar tarifa de importação para buscar queda no preço dos alimentos. Quase todo o azeite de oliva consumido no Brasil vem de outros países. ...

Azeite vai ficar mais barato com imposto zerado? Especialistas avaliam
Azeite vai ficar mais barato com imposto zerado? Especialistas avaliam (Foto: Reprodução)

Governo decidiu tirar tarifa de importação para buscar queda no preço dos alimentos. Quase todo o azeite de oliva consumido no Brasil vem de outros países. Produto ficou mais caro nos últimos meses. Racool_studio O azeite virou quase um artigo de luxo no Brasil. Em alguns supermercados, fica até trancado com cadeado. O motivo é a alta global de preços. O governo decidiu zerar a tarifa de importação de alguns produtos para tentar frear a inflação dos alimentos, e o azeite entrou na lista. A medida passa a valer nesta sexta-feira (14). Atualmente, 99,9% do azeite que o Brasil consome é importado. A tarifa paga para trazer o produto é de 9% e será zerada. Para economistas ouvidos pelo g1 e para a Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira (Oliva), a medida pode trazer impacto positivo para o bolso do consumidor. Contudo, não é possível ainda saber quanto os preços podem cair. O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Renato Fernandes, tem uma opinião diferente. Na avaliação dele, o azeite deve ficar mais barato, mas não pela medida do governo, e sim porque vai aumentar a oferta do produto na Europa, onde estão os principais produtores de azeitona. A Espanha responde por 42% da produção mundial, seguida por Itália (9,7%) e Grécia (8,2%), aponta o Conselho Oleícola Internacional (COI). O azeite é fundamental também para a economia de Portugal. Leia também: Influencers mirins do agro: como crianças transformaram a rotina rural em sucesso na internet Como a medida do governo pode impactar o preço? Para aqueles que acreditam que a medida impactará no preço, um dos principais fatores é a dependência brasileira da importação do azeite. O que não acontece com outros produtos da lista do governo, como o açúcar e o café, cuja maior parte da produção é brasileira. Para os economistas entrevistados pelo g1, o consumidor pode demorar até 2 meses para sentir o impacto. Isso porque é preciso considerar que os azeites que estão atualmente nos supermercados foram comercializados ainda com a cobrança da taxa. No anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que a medida passa a valer em alguns dias. Além disso, zerar o imposto não significa que o desconto para o consumidor será na mesma proporção, ou seja, de 9%, explica o professor Carlos Eduardo de Freitas Vian, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Esalq-USP. Isso porque outros fatores influenciam o valor, como a oferta e a demanda. Se a procura pelo produto estiver alta, as importadoras e os supermercados podem não repassar a isenção completamente para consumidor, disse o professor. O custo do frete e problemas climáticos também podem pesar sobre o preço. A maior chance de o desconto ser relevante para o consumidor é se o mercado estiver competitivo, ou seja, com bastante oferta, explica o pesquisador e economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) Matheus Peçanha. O economista lembra que ainda existem outros impostos que serão pagos ao longo da cadeia, como PIS, Cofins e ICMS. Fernandes, da Ibraoliva, não concorda com a decisão do governo de abrir mão do imposto. Para ele, o que vai deixar o azeite mais barato é o aumento da produção na Europa. Ele também acredita que o governo precisa investir em mais incentivos para pesquisa de novas variedades de azeitonas adaptadas ao clima brasileiro, para aumentar a produção nacional. As principais razões do encarecimento do azeite foram o calor e a seca que atingem a Europa desde 2023 e impactaram a produção de azeitona. Naquele ano, as temperaturas europeias ultrapassaram 40°C. Com isso, houve relatos de que as folhas da árvore chegaram a queimar e até mesmo casos de incêndios, que diminuíram a área plantada. Após fabricar 2,2 milhões de toneladas de azeite na safra 2021/22, a Europa viu a sua produção despencar 40% na temporada de 2022/23, para 1,3 milhão de toneladas. Mas, no ano passado, o clima mais ameno favoreceu a colheita. (Saiba mais abaixo). Entenda por que o preço do azeite aumentou e quando vai baixar Expectativa de produção maior A expectativa para a safra 24/25 de azeitona europeia é de que atinja 3,3 milhões de toneladas. A colheita 23/24 foi de 2,5 milhões, aponta Vian, da Esalq. A boa safra já reflete na comercialização internacional. Em fevereiro de 2024, a tonelada de azeite era vendida por cerca de US$ 10 mil . Na comparação com janeiro de 2025, o preço teve uma queda de quase 50%, chegando a US$ 5.500, segundo dados do Federal Reserve, o banco central americano. A queda já chegou ao consumidor, ainda que não de forma muito significativa, explica Rita Bassi, presidente da associação Oliva. O azeite ficou 17,24% mais caro no acumulado dos 12 meses até janeiro, apontou o Índice de Preços ao Consumidor (Amplo), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas, a situação já foi pior. No pico do preço, em junho, o encarecimento foi de 50,74%. Apesar da boa safra e da medida, a presidente não acredita que o azeite voltará a custar o mesmo de antes das elevações dos preços. Leia também: Governo proíbe duas novas marcas de azeites de oliva por fraude; veja quais Brasil conquista 5º lugar inédito em ranking de países com mais azeites premiados do mundo Governo proíbe a venda de lotes de 12 marcas de azeite de oliva